quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Espelho, espelho meu!



Temos tantas ideias a respeito de tantas coisas, que são de papos simples que podemos tirar as melhores conclusões de nossas vidas. Ontem à noite foi um desses assuntos interessantes. Conversando com um amigo sobre questões do coração, chegamos a algumas hipóteses do que mais atrai uma pessoa a outra, dentre as mais variadas possibilidades, ficamos com as duas mais contundentes e opostas: o físico e a mente. Ora, você deve pensar que as duas coisas são um conjunto, porque nem sempre a beleza é tudo na vida e que também namorar feio (ao menos para seu gosto pessoal) não é ministério de caridade à pobre pessoa. Ou seja, nós somos dicotômicos na hora do amor sexual/atrativo.
Meu amigo ao falar sobre tal situação, disse que a beleza é algo que chama atenção sim, mas que no fim das contas, o que realmente tem importância para seguir adiante em todos os quesitos de uma relação relâmpago ou para uma relação mais duradoura é a inteligência da pessoa, o assunto, a agradabilidade. Porque a beleza nem sempre é amparada com questões provindas da alma. Achei bonito esse pensamento vindo de um jovem de 25 anos, um pouco mais novo que eu e com capacidade de ter milhões de oportunidades amorosas na vida, mas preferiu acertar com uma pessoa somente, com o qual é muito feliz e diz ter se apaixonado pela beleza interior da pessoa (sem desmerecer a exterior, óbvio).
A partir desse pensamento, resolvi pensar sobre a beleza e o que faz com que ela seja tão importante nos dias de hoje. Seria ela a vilã?! Será que a beleza é inimiga dos relacionamentos?! Então, namorar feio é o que vale?! O que é feio?! Existe padrão de feiura?! Muitas perguntas saem nesse momento, mas não convém respondê-las. Vamos para outros caminhos.
O senso estético está presente em todos os seres humanos. Não podemos negar que qualquer pessoa que se preze fica encantada diante de uma beleza sem comum. Observar o pôr do sol, a natureza, as obras de arte, alguma música com letra ou instrumentos bem arranjados e harmonizados. A arte tem esse poder de prender a pessoa e fazer com que ela perceba que algo está além daquela matéria. Por isso, é notoriamente dado como certo que o senso estético é um dom acoplado em todos nós.
A beleza tem em sua bagagem a capacidade de nos levar a algum lugar. É ela quem nos conduz, ela quem nos remete a distanciar no tempo (passado ou futuro) a qualidade de (re) vivenciar e (re) sentir momentos. É algo que só pode vir dela. É uma propriedade tão maravilhosamente bem traduzida nas circunstâncias da vida que ainda não demos conta de que não há a menor possibilidade de aprisioná-la. Mas tentamos essa estratégia a qualquer custo. E é por isso que, muitas vezes, trocamos a beleza interior pela exterior. Não percebemos que o senso estético é a capacidade que temos de nos deixarmos levar pela beleza que nos captura e alça voos com nossa mente, nossa alma. A beleza só se torna prejudicial quando queremos aprisioná-la e fazermos ela viver a nosso bel prazer.
É por isso que o valor estético perdeu seu sentido e passamos a dar mais autoridade a aquilo que é externo e não a aquilo que é externalizado. Olhamos somente o invólucro e esquecemos de dar
sentido ao conteúdo que o preenche. É claro, a beleza de uma pessoa chama a atenção, mas ela apenas revela a "boniteza" estética de alguém, mas aplicar valores maiores a aquilo que aparenta ser uma sedução enlaçadora é mais que importante. Em épocas de prazer livre, onde o hedonismo é considerado uma coisa normal beirando ao natural, resgatar valores próprios da estética da fisionomia humana é fundamental para amar além das aparências. É óbvio que em matéria de sexualidade, a aparência chama a atenção, mas quando isso for tudo na vida de uma pessoa a felicidade nem começou a existir, ao contrário, provavelmente ficará perdida entre tantas beldades existentes no mundo e não saberá onde repousar a cabeça e o coração. Correrá de lá para cá, porque busca belezas objetivadas no corpo, quando a verdadeira razão de se encontrar com o amor verdadeiro está na beleza interior, conquistada por algo que a gente nem sabe ao certo como é, apenas nos encanta diariamente e mostra uma beleza que não é corrompida pelo tempo, mas é cada vez mais agraciada com a maneira de ser e de viver.
Lembremos sempre que não podemos aprisionar a beleza, é ela quem nos aprisiona. Querer tê-la nas mãos é o primeiro passo para que ela escape do nosso controle e nos veremos perdidos, correndo atrás daquilo que não se alcança, mas que é ao contrário que se vive.
Para finalizar esse texto, deixo um exercício para fazermos (ou pensarmos). Lembra daquela pessoa que uma vez você disse não ser bonita, mas que tornou-se sua conhecida ou amiga? Então, perceba como seus padrões de beleza mudaram e agora ela é até bonita aos seus olhos. Será que a beleza não te enlaçou e você consegue enxergar realmente o que é a estética de cada pessoa, deixando o externo de lado e vendo aquilo que é externalizado? Pense nisso.

Um comentário:

Sarinha disse...

Que "lindo" seu texto!
Esse seu post me fez lembrar aquele filme "o amor é cego", onde as pessoas mais legais e boas do filmes, o cara via como os gatões da parada, enquanto a mais chata era a mais horrorosa!
Hoje somos engolidos pelas tendencias da moda, corpos esculturais das modelos famosas, dos mocinhos da novela! Hoje, oq vale é bunda e peito grande, peitoral e barrigas bem definidas! Enfim, aquela velha historia de que a perfeição só se encontra na televisão
enquanto isso, nas esquinas da nossa vida, estamos em contato com pessoas de carne e osso - mais carne, menos osso.. huahauha, altas, baixas, magras, feias ou bonitas.. mas que dão um colorido especial a nossa vida.
minha vó sempre me dizia que "quem ama o feio, bonito lhe parece"..
tudo é uma questão de como essa pessoa te cativa!! Conheço pessoas belissimas (de acordo com os padrões da midia), mas que são feias por se acharem demais! Já outras são lindaas, pois tem um coração enorme, uma garra e me fazem ser apaixonada por elas! Enfim, comentário gigantee! hauhauhauah